Em meio à operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou ao menos 64 mortos — entre eles quatro agentes —, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) rebateu as declarações do governador Cláudio Castro (PL), que havia acusado o governo federal de falta de apoio e sugerido intervenção das Forças Armadas.
A pasta, chefiada por Ricardo Lewandowski, afirmou que todas as solicitações do Rio para o uso da Força Nacional foram atendidas desde 2023, com prorrogação autorizada até dezembro de 2025. O MJSP destacou ainda a atuação contínua da Polícia Federal e da PRF no estado.
Somente em 2025, a PF realizou 178 operações, com 210 prisões e 10 toneladas de drogas apreendidas, além de 190 armas, incluindo 17 fuzis. Entre as ações de destaque estão as operações Forja, que desmontou uma fábrica de fuzis do Comando Vermelho, e Buzz Bomb e Libertatis, que desarticularam operadores de drones de facções criminosas.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou ter atuado intensamente no Rio de Janeiro desde 2023, com a recuperação de 3 mil veículos, apreensão de 72 fuzis, 29,5 toneladas de maconha, 3,9 toneladas de cocaína e 73 mil unidades de drogas sintéticas, além da prisão de 8.250 pessoas e da apreensão de R$ 3,2 milhões em valores ilícitos.
No campo financeiro, o governo federal destacou que o estado recebeu mais de R$ 143 milhões do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN) — dos quais R$ 104 milhões ainda estão disponíveis — e R$ 331 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), com R$ 174 milhões ainda em caixa. Equipamentos e doações somam cerca de R$ 10 milhões.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) também ressaltou parcerias com o Rio, como a criação de um comitê de inteligência financeira (CIFRA) que já analisou R$ 65 bilhões em transações suspeitas, e de uma célula integrada para capturar foragidos. Em fevereiro, o ministro Ricardo Lewandowski ofereceu dez vagas em presídios federais para líderes de facções.
As declarações do governador Cláudio Castro (PL), que culpou o governo federal e pediu apoio das Forças Armadas após a operação nos complexos do Alemão e da Penha — a mais letal da história do Rio —, foram vistas como uma tentativa de transferir responsabilidades e adotar um discurso bolsonarista em meio à crise. O MJSP reafirmou o compromisso com o estado e defendeu que todas as demandas do governo fluminense vêm sendo atendidas.










