Quem achou que a tentativa de golpe de 8 de janeiro e o ataque suicida ao STF na semana passada representavam o auge da violência bolsonarista teve uma surpresa na terça com as novas revelações da Polícia Federal.
Quatro militares de alta patente, incluindo um ex-ministro de Bolsonaro, foram presos sob suspeita de planejar detalhadamente a morte do presidente Lula, de seu vice e do ministro do STF Alexandre de Moraes, no que seria um golpe de Estado ainda mais sanguinário que o de 1964. Todas as evidências sugerem que o gen. Walter Braga Netto, vice na chapa derrotada de Bolsonaro, coordenava a operação. Ele continua livre.

Mas, para quem acompanhou a cobertura do Intercept, a surpresa não foi tão grande assim.
Desde o resultado das eleições de 2022, alertamos sobre o quão perigosa era a recusa de Bolsonaro em reconhecer sua derrota nas urnas e o quão longe ele e seus apoiadores iriam para se manter no poder.
As investigações da PF só confirmam o que já vínhamos denunciando: a elite das forças armadas usaram seu treinamento em guerra híbrida e a desinformação eleitoral era apenas a superfície de uma trama golpista que deixou nossa democracia por um fio.
Se o plano dos militares e o terrorismo do fiel rebanho de Bolsonaro não houvessem fracassado (e a gente ainda não sabe exatamente porque o complô não avançou), hoje poderíamos estar sob um regime militar de extrema direita. Mas, pior ainda, se a gente não enfrentar isso com força agora, tudo indica que o golpe pode ganhar nas urnas daqui uns dois anos — quem pensa que o golpismo morreu está enganado. Ainda há muito mais a ser revelado.
