Olá,
Fans do bilionário Elon Musk irritado esta semana com investigações do Intercept reclamando em alto e bom som no Twitter (X). Sabe por quê?
No sétimo episódio da série "Amazônia Sitiada", que denuncia a exploração e a grilagem em terras amazônicas, o repórter Leonardo Fuhrmann conta a história do agrimensor Bruno Alceu, que foi torturado por milicianos e teve sua agressão transmitida ao vivo.
O caso ajuda a ilustrar como as antenas da Starlink, empresa de internet via satélite de Elon Musk, estão sendo usadas por criminosos em áreas de conflito no Brasil e no mundo.
A INTERNET VIA SATÉLITE STARLINK, DO BILIONÁRIO ELON MUSK, foi usada por milicianos para comunicar em tempo real uma sessão de tortura ao suposto mandante em Boca do Acre, no Amazonas. O crime aconteceu em 29 de fevereiro deste ano.
As vítimas foram o agrimensor Bruno Alceu Bonfim Tabuti e outros três camponeses. Tabuti denunciou a violência à Polícia Civil e ao grupo de prevenção e combate à tortura do Ministério Público do Acre.
Desde que Elon Musk iniciou seu plano de expansão no Brasil, várias denúncias mostram que a Starlink tem sido usada por criminosos, inclusive para driblar a fiscalização ambiental do governo. O Ibama já encontrou 90 destes aparelhos em operação em garimpos ilegais em um ano.
A empresa de internet via satélite de Musk domina a região amazônica, com antenas em 90% dos municípios. Boa parte delas em fronteiras e regiões remotas, onde não há serviço de banda larga, e em áreas onde já foram apreendidos ouro, armas e munições em operações da Polícia Federal e do Ibama.
E o problema não é só no Brasil: o uso da internet da Starlink por quadrilhas também levanta preocupação em países em conflitos na África e na Ásia.
A parceria entre Musk e o governo brasileiro foi firmada em maio de 2022, no então governo de Jair Bolsonaro. Segundo o ministro das Comunicações na época, o ex-deputado federal Fábio Faria, do PP, o objetivo era usar “tecnologia avançada para a preservação da floresta amazônica, com monitoramento de desmatamentos e incêndios ilegais”.
Na ocasião, Musk disse que estava “super empolgado por estar no Brasil para o lançamento do Starlink para 19 mil escolas desconectadas em áreas rurais e monitoramento ambiental na Amazônia”.
A concessão para a empresa operar no Brasil havia sido liberada em uma reunião extraordinária da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, em janeiro daquele ano. Os projetos para as escolas e para o monitoramento ambiental não saíram do papel. Seu uso por criminosos, sim.