Resumo da 1ª semana dos conflitos entre Hamas e Israel na PalestinaOlá, Nossa percepção sobre os acontecimentos está radicalmente mudando por causa da tecnologia. Lembram desta foto? Ela é a imagem que mudou a guerra. Antes da sua publicação, a percepção dos cidadãos estadunidenses sobre a invasão dos EUA ao Vietnã era vista majoritariamente como positiva. A fotografia, enviada ao mundo pelo serviço da agência de notícias Associated Press, mostrou que o exército estava massacrando crianças inocentes. Antes dela ganhar a capa de jornais e revistas em dezenas de países, os EUA transportavam mais de 600 jornalistas de todo o planeta junto com suas tropas, convidados que acordavam e dormiam com os soldados e que contavam apenas o lado supostamente heróico dos invasores. O que vemos hoje é uma deturpação do conceito de transparência capturado pelo fotógrafo Nick Ult. Se a fotografia feita por ele na Estrada 1, entre Saigon e Phnom Penh, era um cru e realista retrato da guerra – ela representava de fato o que acontecia no teatro de operações – hoje vemos imagens em profusão que contam uma versão recortada do conflito. A todo momento somos atingidos por conclusões imediatistas da história e gostamos dessas conclusões, as compartilhamos, elas nos trazem o alívio imediato de quem vê um problema resolvido por mágica. Você não sabe quem é o mocinho da história? Tome aqui esta pílula de Twitter. Precisa de alguém para culpar? Duas gotinhas de YouTube, pela manhã e à noite, e seus problemas estão resolvidos. Uma lógica que alimenta bilhões de pessoas cheias de certezas fugazes, tomando decisão com base em junk food para as mentes. Nossos cérebros estão virando uma prateleira de conclusões enlatadas. Assine grátis A Grande Guerra. Há uma guerra pela informação através do uso de redes sociais e ela não serve apenas para alimentar egos, likes e contas bancárias no desregulado sistema das plataformas digitais. Ao fim de todo esse processo, a versão vencedora ajudará a sabermos se a pressão mundial levará gente aos tribunais ou ao panteão da pátria. Não é pouco o que está em jogo neste momento, e é este o motivo de Israel ter cortado acesso à internet em Gaza, mantendo apenas um emissor no mercado da opinião, o próprio estado israelense. Em suas redes sociais, apoiado por parte esmagadora da imprensa comercial, Israel cria um consenso dentro da simplificação entre vítima e algoz, ignorando contextos e nuances. Como em uma loja de conveniências, somos levados aos produtos que interessam à loja, não a nós mesmos.
Torre Eiffel e Empire Estate: o que essa imagem diz pra você? Não há vítimas na Palestina?
Nada é por acaso. Não é de hoje que a ciência nos alerta: nossa capacidade de atenção foi evaporada pelo uso contínuo de redes sociais. Queremos muita informação, queremos agora – e sobretudo, queremos uma conclusão curta, simples e viral. Estamos viciados em respostas fáceis para problemas complexos, cenário fértil para que – no fim de um imenso processo informacional – a população mundial saia paradoxalmente muito mais informada sobre o assunto e também muito mais ignorante sobre o conflito. É de propósito. Estamos sendo entupidos de informação como aves entupidas de comida, e isso em nada tem a ver com nos manter bem alimentados. Eles desejam apenas nossa esteatose hepática e, no fim, aproveitar nosso fígado (ou nosso cérebro) para fazer patê.
Após condenar os ataques do Hamas em Israel, o presidente Luís Inácio Lula da Silva conversou na quinta-feira (12) com Isaac Herzog, presidente de Israel. Durante a conversa, Lula pediu que seja aberto um corredor humanitário entre o Egito e a Faixa de Gaza, para que os civis palestinos e de outras nacionalidades que estão em Gaza – inclusive brasileiros – possam deixar a área em segurança. Segundo postagem no X, antigo Twitter, o presidente afirmou que não é justo que inocentes sejam as maiores vítimas dos ataques israelenses: "Solicitei ao presidente todas as iniciativas possíveis para que não faltem água, luz e remédios em hospitais. Não é possível que os inocentes sejam vítimas da insanidade daqueles que querem a guerra. Transmiti meu apelo por um corredor humanitário para que as pessoas que queiram sair da Faixa de Gaza pelo Egito tenham segurança", dizia a mensagem. Apesar de ocupar o cargo de presidente de Israel, Herzog não tem poder sobre as decisões tomadas pelo governo, que ficam a cargo do primeiro-ministro, no caso, infelizmente, posto ocupado por Benjamin Netanyahu. O Brasil negocia a retirada de cidadãos brasileiros da Faixa de Gaza. A negociação com o Egito também inclui os brasileiros que vivem na região, mas os egípcios não parecem propensos a cooperar. Os brasileiros residentes em Israel ou turistas que estavam na área de conflito já começaram a ser trazidos de volta desde a última terça-feira (10) em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Uma aeronave da Presidência da República com capacidade para 40 passageiros foi enviada para Roma na noite de quinta-feira (12), onde deve aguardar a liberação do corredor humanitário e em seguida seguir para Tel-Aviv para fazer o resgate dos brasileiros. Até a noite de quinta-feira, o número de brasileiros abrigados em uma escola católica em Gaza era de 16 pessoas, incluindo crianças. O Itamaraty informou que enviou cobertores, alimentos e colchões. Além dos brasileiros na escola, outros nove também manifestaram o desejo de retornar ao Brasil, porém, estão aguardando em suas casas. A intenção do governo brasileiro é utilizar um ônibus para fazer a travessia da fronteira com o Egito até o aeroporto. O Itamaraty pediu ao governo de Israel que não bombardeasse a escola, mas não obteve respostas.
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